Anthrax: “Iremos fazer de tudo pra que isso funcione.”

Logo após rumores começaram a rodar a Internet, o ANTHRAX fez o anúncio oficial de que reuniu forças com Joey Belladonna, vocalista do grupo de 1984 a 1992 e que é considerado parte da “formação clássica” da banda (juntamente com os guitarristas Dan Spitz e Scott Ian, Frank Bello de baixista e o baterista Charlie Benante). Joey reuniu-se e excursionou com a banda em 2005 e 2006.

Na semana passada, BLABBERMOUTH.NET falou com o baterista Charlie Benante sobre o retorno de Belladonna, as datas européias do Sonisphere’s “Big Four” com METALLICA, MEGADETH e SLAYER e sobre futuro da banda. A sessão de perguntas e respostas segue abaixo.

Parece que o situação do cantor foi resolvida.

Charlie Benante: Sim, eu estou aliviado por tudo. Isso esteve nas minhas costas por algum tempo. Eu posso respirar um pouco mais fácil agora.

Em que dado momento o nome de Joey apareceu?

Charlie Benante: Bem, eu conversei com Joey aqui e ali, sabe o que eu quero dizer?! Basicamente, alguns de nós da banda, inclusive eu, sentimos como se estivéssemos nesta montanha-russa emocional por cerca de dois anos, quase no limbo. As pessoas dizem: “Como pode isso dar certo? Como pode isso dar errado?” Acredite, eu não posso começar a dizer quanto tempo e esforço  eu coloquei para fazer tudo funcionar. Às vezes você pode levar um cavalo à água, mas você simplesmente não pode fazê-lo beber. Essa é a verdade. As pessoas têm suas próprias maneiras de resumir tudo isso e colocar uma conotação negativa sobre ela, mas ela não é realmente uma ação negativa por parte da banda. A situação é exatamente do jeito que é. É lamentável que algo em que estávamos trabalhando não deu certo. Apenas explodiu na nossa cara, tipo “Que porra é essa?”. John (Bush, antigo vocalista) foi gentil o suficiente para entrar e fazer alguns shows com a gente, mas John não quis continuar com esta vida ou fazer música. Queríamos tanto John como Joey, para tocar e fazer isso com a gente. Joey ter aparecido resume tudo. Meu pensamento todo por trás disso é que eu não quero algo para curto prazo, eu quero algo para longo prazo. Eu quero estar nisso. Quem vai estar cantando precisa fazer isso até que nós dissermos que acabou. Nova música, para mim, é a parte mais importante sobre este assunto. Essa é a nossa prioridade número 1 porque não lançamos um álbum há anos. Acredite em mim,  tenho uma porrada de material fudido que precisa ser mostrado. Espero que este seja o primeiro passo para chegar lá.

Então é isso? Não é uma coisa temporária como a turnê de reunião?

Charlie Benante: Eu realmente tenho que esclarecer todas essas coisas sobre a reunião porque muita gente se esqueceu ou não leu as outras partes. Eu quero fazer você voltar para a idéia de apresentação desta turnê inteira. Era pra ser uma turnê especial que nós faríamos e que apresentaria ambos os vocalistas. Foi porque nós comemorávamos um aniversário. Foi uma ideia brilhante de minha parte, porque eu pensei que seria um grande presente para os fãs de ver as duas épocas do Anthrax. Essa era a idéia inicial e eu pensei que seria foda. Se o Van Halen estava fazendo isso, eu pensei comigo “Foda-se, é uma grande idéia.” Então a verdade começou a aparecer e um cara não queria fazer isso e outro cara não faria aquilo. De repente, acabou que John não queria fazê-lo e nós estávamos indo fazer uma turnê. Na verdade, não era bem isso que eu tinha em mente, mas eu resolvir seguir com isso. Eu sabia no fundo da minha mente que um dia poderíamos fazer outro disco com John, mas as coisas não funcionam desse jeito e essa é a verdade. Para mim, a turnê de reencontro foi esta: Aqui estão os cinco rapazes que trabalharam juntos até 1990, o que for. Vamos jogá-los juntos em uma sala, deixá-los conversando e agora eles estão em turnê. Nós tivemos de reparar certas relações na estrada, o que não foi justo com nenhum de nós. Nós estávamos fazendo shows bons, mas nos bastidores era difícil a comunicação. Seguimos em frente enquanto pudemos até que determinadas personalidades decidiram que não queriam mais continuar. Foi isso. Foi concluído. Scott (Ian, guitarrista), eu e Frankie (Bello, baixista) ficamos sem fazer nada. Então, passou algum tempo e eu tinha um monte de material. Scott e Frankie vieram e nós começamos a compor música como fazíamos durante a época do “Spreading The Disease”. Era apenas nós três, sem cantor, compondo canções. Era isso.

Todos os conflitos do passado que foram acontecendo durante a reunião foram esquecidos? Qual é a química global entre todos agora?

Charlie Benante: O ponto é que Joey Belladonna tem um bom coração. O cara é uma boa pessoa e queremos fazer este trabalho com ele. Nós vamos fazer tudo ao nosso alcance para fazer este trabalho e acho que vai funcionar. Enviei pro Joey algumas músicas novas e algumas letras de músicas e, apenas três dias atrás, ele me tocou algo no telefone dele cantando a canção nova e fiquei arrepiado. Foi muito foda. Me lembrou do “Spreading The Disease”. É um grande começo para algo que só pode vir a ser do caralho. Nós só queremos tocar nestes espetáculos, ser apenas uma banda de novo e ser matadores.

Haverá canções de “Worship Music” (o álbum de inéditas do ANTHRAX com Dan Nelson nos vocais) no álbum que você planeja fazer com o Joey?

Charlie Benante: Cinco canções das sessões provavelmente serão salvas e o resto provavelmente será jogado fora ou refeito. Nós amamos as cinco músicas e não queremos fazer nada para estragá-las. As outras canções eu quero re-editar e re-escrever um pouco aqui e ali. Eu gostaria que nós escrevessemos algumas músicas novas, porque sinto que depois que voltarmos da Europa todo mundo vai estar com essa energia e vamos querer fazer música.

Como Joey tem uma voz tão distintamente diferente de qualquer um com quem você tenha escrito em anos, que efeito você vê nele sobre o material novo?

Charlie Benante: É isso, cara. Eu já estou muito excitado sobre como ele soa. Como eu disse, me leva de volta para a era  “Spreading The Disease”.

Você mencionou que o Anthrax tem sido uma montanha-russa emocional no último par de anos. O futuro da banda chegou a estar em cheque?

Charlie Benante: Sim, definitivamente. Houve algumas situações em que me senti como se o chão simplesmente tivesse caído. Eu não podia acreditar nas balelas que eu estava ouvindo. Eu simplesmente não podia acreditar, cara. Um aspecto é que que se alguém lhe dá alguma coisa grande você deve apreciá-la, siga com ela e não acabe com isso, mas algumas pessoas tem que acabar com as coisas.

Então você passou a borracha por tudo isso?

Charlie Benante: Sabe o quê? Tudo acontece por uma razão. Eu estava discutindo isso com alguém há poucos dias. Você sabe como as coisas só trabalham da sua própria maneira? É como “Senhor dos Anéis”, onde eles têm que passar por todas as besteiras só para chegar àquele fim. É verdade e tem sido emocionalmente desgastante para um monte de gente. Isso poderia ser a razão pela qual algumas pessoas na banda decidiram ir para outros empreendimentos, talvez para ficar longe de tudo. Eu não sei. Talvez seja por isso que eles estão fazendo outras coisas. Eu tenho trabalhado com uma banda aqui em Chicago chamada HEAVY THE FALL, que é excelente. Eu toco bateria na gravação e também estou produzindo. Talvez eu precisasse fazer isso, porque eu precisava ficar longe de todas as porcarias do ANTHRAX por algum tempo também. Veja, no fim das contas, para mim, a música é tudo. Isso é o que eu preciso na minha vida e tem que ser positivo.

E você chegou num ponto onde o Anthrax já não era mais sobre a música.

Charlie Benante: A situação ficou feia e eu precisava ficar longe disso. Para mim, ser o membro da banda que realmente não pode ficar longe dela porque ele está fazendo isso dia após dia, foi me estressando completamente. Eu não vou mentir para você.

Agora, pelo menos, você tem essa tour do “Big Four” pra se preocupar.

Charlie Benante: Essa é a coisa que vem na minha mente esse tempo todo. Tivemos que fazer isso. Eu acho que seria justo Joey Belladonna fazer esses shows porque ele era uma parte do “Big Four”. Eu acho que ele merece isso. Acho que todos nós merecemos. Eu acho que vai ser um momento verdadeiramente especial para todos nós quando chegarmos lá em cima e tudo funcionar. É como aquele show que fizemos no ano passado, quando John veio e se juntou a nós no palco para um único show. Eu poderia ter me importado menos com o fato que havia milhares de pessoas lá nos vendo. Eu estava gostando de estar ali apenas como nós, lá em cima tocando. Às vezes você esquece isso e é sempre bom voltar e perceber o que você tem e realmente apreciá-lo. Em vez de apenas ir lá e dizer: “Ok, aqui estão os nossos 45 minutos. Terminamos”, você precisa apreciar aqueles 45 minutos.

Quais são os seus pensamentos em geral sobre essa turnê?

Charlie Benante: Cara, eu não quero dizer nada de ruim sobre o público americano, mas o público europeu, eu sei que eles vão pirar. Vai ser louco lá. Isso precisa acontecer também na América. Todas as quatro são bandas americanas e eu realmente espero que possamos fazer isso aqui porque eu não acho que o público americano nunca vai conseguir nada assim. Todos apenas estão fartos da treta que tinham de lidar entre si. Eu realmente espero que essa tour venha aqui. Isso seria ótimo.

Vocês estão planejando tocar estritamente material da era Belladonna?

Charlie Benante: Nós vamos fazer isso e vamos misturar com outras coisas também. Nós vamos tentar fazer algum material da era John (“Only” e “What Doesn’t Die”) e planejamos tocar algumas músicas novas também.

Existe alguma chance de ver Danny (Spitz, ex-guitarrista) se envolver de alguma forma?

Charlie Benante: Nós não conversamos sobre isso. Danny tem estado um pouco doente ultimamente, por isso ele precisa colocar a sua saúde em ordem. Rob (Caggiano, guitarrista] está conosco e nós estamos continuando com Rob.

Como uma banda, o ANTHRAX está se aproximando da marca de 30 anos. Quando você entrou em cena, você imaginou tudo isso?

Charlie Benante: Nunca pensei nisso.

Você pensa sobre isso agora?

Charlie Benante: [risos] Sim. Acho que me bateu um ano atrás, quando fomos para o Rock And Roll Hall of Fame ver o Metallica ser homenageado. Eu estava sentado lá e só pensava: “Uau, quanto tempo passou.” As coisas simplesmente pareciam voar. Essa turnê que está prestes a acontecer, eu realmente espero que isso aconteça em outro lugar. Isso precisa acontecer em outros lugares porque isso é enorme para o metal. Eu falei com pessoas que estão voando de todo o mundo para ver o primeiro show na Polônia. Apreciem.

Se você tivesse uma coisa a dizer para aqueles que estão lendo isso, o que seria?

Charlie Benante: Sejam gentis conosco.

Fonte: Blabbermouth

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